Emílio Cossa lança a 2.ª edição de “Ritmo, Alma e Poesia” na Beira

Lançamento da 2.ª Edição De “Ritmo, Alma e Poesia ” de Emílio Cossa


A cidade da Beira acolheu ontem, 28 de Agosto de 2026, a apresentação da 2.ª edição de Ritmo, Alma e Poesia – A História e as Estórias do Hip-Hop em Moçambique, obra de Emílio Cossa dedicada ao percurso e à memória do movimento Hip-Hop moçambicano. A sessão realizou-se no Camões – Centro Cultural Português, Polo na Beira, às 18h00, no âmbito da 1.ª edição da Festa do Hip-Hop do Chiveve. 


Sete anos depois da publicação original, lançada em 2019, o livro regressa numa edição revista, actualizada e ampliada. O novo lançamento procura acompanhar as transformações que o Hip-Hop moçambicano viveu durante este período, sem abandonar a preocupação central que marcou a primeira edição: preservar e contar as histórias de um movimento construído por diferentes gerações, experiências e protagonistas.


A apresentação da obra esteve a cargo de Dércio «Dedeco» Chiemo, com comentários de Inspector Desusado. A iniciativa foi coorganizada pelo Camões – Centro Cultural Português, Polo na Beira, pela Editora Kulera e pela Associação ENDENI, integrando uma programação dedicada à celebração, reflexão e memória da cultura Hip-Hop.


Uma nova edição para uma história que continua

Quando Ritmo, Alma e Poesia foi publicado pela primeira vez, em 2019, colocou no centro da discussão uma parte importante da história cultural moçambicana. O livro reuniu memórias, testemunhos e experiências de pessoas ligadas ao Hip-Hop, procurando compreender como o movimento surgiu, se desenvolveu e ganhou diferentes formas ao longo dos anos.


Agora, em 2026, a obra regressa porque a história não ficou parada. O Hip-Hop moçambicano continuou a produzir novos artistas, novas sonoridades, novas linguagens e outras formas de chegar ao público. As plataformas digitais alteraram a maneira de lançar e divulgar música, enquanto uma nova geração passou a ocupar espaços que antes eram dominados por outros nomes e outras dinâmicas.


É nesse contexto que a segunda edição ganha relevância. Não se trata apenas de voltar a colocar nas livrarias um livro publicado há sete anos. A nova versão foi revista, actualizada e ampliada, procurando incorporar novos contributos e reflectir sobre as mudanças que ocorreram no movimento desde a publicação original.


Para uma cultura que continua a transformar-se, actualizar a sua própria memória é uma necessidade. A história do Hip-Hop não termina quando um livro é publicado. Pelo contrário, continua a ser escrita todos os dias, nas músicas, nos estúdios, nos palcos, nos bairros, nas batalhas e, actualmente, também nos espaços digitais.


Do Rovuma a Maputo, histórias de um movimento

Ritmo, Alma e Poesia – A História e as Estórias do Hip-Hop em Moçambique procura olhar para o movimento numa dimensão nacional. A trajectória apresentada pela obra atravessa diferentes experiências e lugares, acompanhando a cultura Hip-Hop desde as suas primeiras manifestações, no final da década de 1980, até às transformações que foram surgindo ao longo do tempo.


Falar do Hip-Hop moçambicano não significa falar de uma única realidade. O movimento foi sendo construído em diferentes cidades, por diferentes pessoas e dentro de contextos próprios. Cada geração trouxe as suas referências, os seus desafios e a sua forma de compreender a cultura.


É por isso que o trabalho de reunir memórias e testemunhos tem um valor especial. Muitas histórias culturais vivem durante anos apenas na memória de quem esteve presente. Algumas passam de boca em boca; outras acabam por desaparecer quando não são registadas. Colocar estas experiências num livro é também uma forma de garantir que determinadas histórias possam chegar às gerações seguintes.


A memória de um movimento não pertence apenas aos artistas mais conhecidos. Ela também é construída por DJs, produtores, organizadores, jornalistas, ouvintes e muitas outras pessoas que, de diferentes maneiras, participaram no crescimento da cultura. Registar essas experiências ajuda a perceber que o Hip-Hop é maior do que os nomes que aparecem nos holofotes.


Uma obra sobre memória, cultura e transformação

O grande desafio de escrever sobre uma cultura viva é encontrar o equilíbrio entre o passado e o presente. Por um lado, é necessário olhar para quem abriu caminho e para os primeiros momentos do movimento. Por outro, é impossível ignorar as mudanças que continuam a acontecer.


A segunda edição de Ritmo, Alma e Poesia surge precisamente nesse cruzamento. O livro regressa ao passado, mas procura também observar um presente marcado pela digitalização e pelo aparecimento de novas formas de criação e circulação da música.


Nos últimos anos, a internet alterou profundamente a relação entre os artistas e o público. Hoje, um músico pode divulgar o seu trabalho através de diferentes plataformas sem depender exclusivamente dos caminhos tradicionais de distribuição. Esta mudança abriu possibilidades, mas também criou novos desafios para quem procura manter uma carreira e construir um público.


Ao mesmo tempo, novas sonoridades e linguagens passaram a fazer parte do panorama musical. O Hip-Hop continua a mudar porque as pessoas que o fazem também mudam. Cada geração chega com novas referências e novas formas de contar aquilo que vive.


Actualizar um livro dedicado a esta cultura significa reconhecer essa realidade. Não basta preservar aquilo que aconteceu antes; é necessário perceber o que mudou e como essas mudanças ajudam a construir o próximo capítulo.


A importância de documentar o Hip-Hop moçambicano

Durante muito tempo, grande parte da história das culturas urbanas foi preservada de forma informal. As memórias ficaram nas conversas, nas letras das músicas, em fotografias antigas, em cassetes, em CDs e nas recordações de quem viveu determinados momentos.


Esses registos têm um valor enorme, mas podem ser insuficientes quando se pensa no futuro. Uma geração pode conhecer determinadas histórias porque ouviu alguém contá-las; a geração seguinte talvez já não tenha essa oportunidade. É aí que a documentação ganha importância.


Um livro não resolve sozinho a questão da preservação da memória, mas pode tornar-se uma ferramenta importante. Permite reunir informações, organizar experiências e criar um ponto de partida para novas pesquisas e novas conversas.


No caso do Hip-Hop moçambicano, esse trabalho torna-se ainda mais significativo porque ajuda a dar visibilidade a uma cultura que fez parte da vida de várias gerações e que continua a ocupar novos espaços.


Preservar a memória não significa transformar o Hip-Hop numa peça de museu. Pelo contrário. Conhecer o caminho percorrido ajuda a compreender melhor o presente e permite que as novas gerações saibam que a cultura que vivem hoje foi construída sobre experiências anteriores.


A Beira recebeu um encontro entre livro e cultura Hip-Hop

A apresentação da segunda edição aconteceu no contexto da 1.ª edição da Festa do Hip-Hop do Chiveve, subordinada ao tema «Sangue Negro: Ode a Noémia de Sousa». O enquadramento do lançamento dentro de uma iniciativa dedicada à cultura Hip-Hop deu ao momento uma dimensão que vai além da apresentação de um livro.


Um lançamento desta natureza também pode servir como ponto de encontro. Autores, artistas, leitores e pessoas ligadas ao movimento encontram-se para discutir experiências, recordar momentos e reflectir sobre o futuro da cultura.


O livro, neste caso, torna-se parte de uma conversa maior. As páginas guardam histórias, mas essas histórias continuam a gerar debates e interpretações diferentes. Quem viveu determinado período pode reconhecer acontecimentos que fazem parte da sua própria memória; quem chegou depois pode descobrir uma realidade que não conheceu directamente.


É essa ligação entre diferentes gerações que torna iniciativas deste género importantes. O Hip-Hop continua a avançar, mas não precisa de apagar aquilo que veio antes para construir algo novo.


Sete anos depois, um novo capítulo

O regresso de Ritmo, Alma e Poesia em segunda edição marca um novo momento na trajectória da obra de Emílio Cossa. A primeira edição abriu espaço para a documentação e reflexão sobre a história do Hip-Hop em Moçambique. A nova edição chega com a responsabilidade de actualizar esse percurso e reconhecer as transformações que ocorreram desde 2019.


Sete anos podem parecer pouco tempo quando se olha para a história de uma cultura, mas representam uma fase inteira na vida de um movimento musical. Novos artistas apareceram, outros caminhos foram seguidos e a própria maneira de produzir e consumir música sofreu mudanças profundas.


Emílio Cossa apresenta a 2.ª edição de «Ritmo, Alma e Poesia»
Livro Ritmo Alma e Poesia. Reprodução/Facebook  

Por isso, uma edição revista, actualizada e ampliada não deve ser vista apenas como uma nova impressão. É uma oportunidade de voltar ao tema e perceber aquilo que precisa de ser acrescentado à conversa.


A história do Hip-Hop moçambicano continua a ser escrita. E, enquanto novos acontecimentos surgem, também cresce a necessidade de olhar para trás e preservar aquilo que já aconteceu.


Quem é Emílio Cossa?

Emílio Cossa é escritor, editor e investigador cultural, com trabalho ligado à edição, à documentação e à preservação da memória cultural moçambicana. É também fundador da Editora Kulera.


O seu percurso editorial inclui Ritmo, Alma e Poesia – A História e as Estórias do Hip-Hop em Moçambique, além da organização da antologia poética No Cais do Amor e da colectânea ficcional Crónicas de Yasuke: Antologia de Narrativas Inspiradas no Primeiro Samurai Negro.


O interesse pela preservação de diferentes narrativas culturais está presente no seu trabalho. No caso de Ritmo, Alma e Poesia, essa preocupação encontra-se directamente ligada à cultura urbana e à necessidade de registar experiências que fazem parte da história moçambicana.


Um livro para quem vive e estuda a cultura

A nova edição pode interessar a diferentes tipos de leitores. Para quem acompanha o Hip-Hop há muitos anos, representa uma oportunidade de revisitar momentos e histórias ligados ao percurso do movimento. Para os mais novos, pode funcionar como uma porta de entrada para conhecer fases que aconteceram antes da sua chegada à cultura.


A obra também tem interesse para estudantes, investigadores e leitores que procuram compreender melhor as expressões culturais urbanas em Moçambique. Mas o livro não precisa de ficar limitado ao ambiente académico. A história do Hip-Hop pertence também às pessoas que viveram e continuam a viver esta cultura no seu quotidiano.


Conhecer o passado não significa viver preso a ele. Pelo contrário, pode ajudar a perceber melhor o presente. Quem está hoje a escrever uma nova página da cultura pode encontrar no caminho das gerações anteriores referências, dificuldades e experiências que continuam a fazer sentido. 


Ritmo, Alma e Poesia 2
Cartaz Promocional/Editora Kulera

O lançamento de ontem fica como registo de um novo momento

A apresentação realizada ontem, 28 de Agosto de 2026, na cidade da Beira, assinala oficialmente o regresso de Ritmo, Alma e Poesia – A História e as Estórias do Hip-Hop em Moçambique numa segunda edição.


A obra volta ao público revista, actualizada e ampliada, num momento em que o Hip-Hop moçambicano continua a produzir novas histórias. É justamente por isso que iniciativas de documentação e preservação da memória permanecem importantes.


A cultura continua viva porque continua a criar. Mas também precisa de memória para que o caminho percorrido não desapareça com o passar do tempo.


Sete anos depois da primeira edição, Emílio Cossa regressa ao tema com uma nova versão de uma obra dedicada a acompanhar esse percurso. E o lançamento na Beira abre mais um capítulo numa história que, do Rovuma a Maputo, continua a ser feita de Ritmo, Alma e Poesia.


Ritmo, Alma e Poesia
Cartaz Promocional/Editora Kulera

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