Mano Azagaia A Biografia

Azagaia, nome dado a um tipo de lança, curta e estreita, usada para a caça ou guerra, é o nome artístico de Edson da Luz. Nascido na vila de Namaacha, perto da fronteira de Moçambique com a Suazilândia, filho de uma comerciante moçambicana e de um professor cabo-verdiano, Azagaia foi para Maputo, capital do país, aos 10 anos de idade, onde concluiu o ensino médio e ingressou na universidade e no mundo da música pela primeira vez com o grupo Dinastia Bantu.

  
Sua carreira profissional no Rap se iniciou em 2006, lançando seu primeiro álbum no ano seguinte, “Babalaze” (ressaca na língua changana), com a gravadora Cotonete Records. Desde então, não se esquivou de diversas polêmicas ao disseminar ideias críticas e contundentes acerca da situação política e social do país, assim como do contexto internacional que o circunscreve. Entre suas produções destacam-se faixas conhecidas como “As mentiras da verdade” e “Combatentes da Fortuna”, música que consagrou-se como o videoclipe mais assistido da história do rap moçambicano, mesmo contando com uma forte censura televisiva.
Azagaia aborda episódios determinantes para a história do país, como o mal resolvido caso da morte do primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel, vítima da queda de um avião em 1986. Para Azagaia, foi um assassinato. Tratava-se de uma crítica que há muito não se ouvia e que gerou debates em diversas camadas sociais e econômicas do país. Babalaze mostrou quem de fato era o rapper. Diante a abordagem da música As mentiras da verdade, as próximas canções eram esperadas com ansiedade pela juventude moçambicana. Azagaia continuou a apontar suas rimas em direção ao governo. A Marcha surge com uma abordagem fortemente crítica e bateu recordes de vendas. 

  
Em dezembro de 2007 e de 2008, Azagaia lançou os sons Obrigado Pai Natal e Obrigado de Novo Pai Natal, onde ele faz uma retrospectiva dos principais acontecimentos do ano no país, segundo seu ponto de vista. Em 2009, lançou o vídeo Combatentes da Fortuna. Sobre esta música, o rapper diz ter se inspirado na crise do Zimbábue. 

 
No ano de 2010 lançou a música Arriiii e Povo no Poder, que retrata um escândalo de tráfico de drogas em Moçambique, bem como outros casos de fuga ao fisco e assassinatos.
Em primeiro de setembro de 2010, aconteceu na cidade de Maputo, capital de Moçambique, um protesto que envolveu grande parte da população. O fato sucedeu porque o governo havia anunciado o aumento nos preços de produtos de primeira necessidade: pão (essencial na dieta local), eletricidade, combustível, água e transporte. Mensagens por celulares convocaram manifestantes para interromperem com barricadas as estradas e as ruas. Veículos atravessados no meio das vias e pneus incendiados, fizeram com que o município permanecesse incomunicável. O transporte público parou, comerciantes baixaram as portas, postos de gasolina, padarias e mercados foram saqueados. Pedras e outros objetos foram lançados em direção a policia que disparava contra o povo sem pudor, porém população estava disposta a continuar, caso o governo prosseguisse com o decreto.
Os jornalistas de emissoras públicas foram orientados a não cobrir as manifestações. Além das agências de notícias, foram poucos os meios de comunicação, inclusive internacionais, que divulgaram o despertar da população. Na ocasião o ministro do Interior, Jose Pacheco classificou os manifestantes como “aventureiros, bandidos e malfeitores”, e pediu ponderação por parte deles. Nos bairros periféricos registraram-se os confrontos mais violentos. Segundo estatísticas oficiais foram 13 mortos e mais de 500 feridos. Esta manifestação popular resultou na música Povo no Poder. 

Em 2011, Azagaia e seu produtor Miguel Sherba foram parados pela polícia enquanto dirigiam, e com eles foi encontrado um cigarro de maconha, chamada “soruma” em Moçambique. Após se recusarem a pagar propina para serem liberados, foram parar na delegacia onde ficaram detidos por 2 dias, e assim, o fato caiu na imprensa. O caso trouxe prejuízos à imagem do cantor, num país com fortes traços conservadores, apesar de registrar alto consumo da erva, considerada uma planta endógena na região.
O contradição curiosa é que Azagaia e seu produtor foram parados pela polícia quando estavam no caminho para o show de lançamento de um DVD de Azagaia, o que gerou especulações de que se tratava de um “cala boca” do governo. Azagaia ficou extremamente chateado e divulgou um comunicado pedindo desculpas aos seus fãs e à sua família pelo episódio, enquanto Sherba o defendeu, escrevendo uma nota expondo a hipocrisia que permeava todo o episódio, defendendo a ideia de que tratava-se de uma forma de queimar a imagem do cantor junto à opinião pública, levantando o debate acerca da legalização da maconha. 

Em 2014, Azagaia lançou seu segundo álbum, “Cubaliwa” (significa “nascimento” na língua sena), que registrou novamente enorme sucesso entre os apreciadores do rap em língua portuguesa. No mesmo ano, com o objetivo de fomentar o debate acerca da legalização da erva e da moralidade hipócrita que obscurece a discussão sobre o tema no país, o rapper acendeu um baseado ao vivo no programa de TV Atracções, apresentado por Fred Jossias. O programa saiu do ar no meio da intervenção, e o apresentador foi despedido alguns meses depois.
A repercussão nacional foi controversa e Azagaia declarou em público que havia cometido um erro, e que reviu sua atitude principalmente após pensar na consequência de sua atitude para as crianças. Explicou que precisava fazer uso da erva por ter epilepsia, mas que errou ao exaltar o seu consumo publicamente. No entanto, além do pedido de desculpas, o artista também anunciou que abandonaria a carreira e a vida pública, retornando para a Vila de Namaacha.
A notícia chocou o movimento hip-hop, uma vez que Azagaia é considerado um dos rappers de língua portuguesa mais influente, tendo inúmeros fãs em países lusófono. Já em Moçambique, um país no qual é difícil encontrar um jovem do meio urbano, homem ou mulher, que não goste de rap, com sua capital Maputo, contando com uma cena cada vez mais efervescente, a novidade foi ainda mais surpreendente.
Passadas algumas semanas, Azagaia revelou ao público algo que segundo o próprio influenciou nas atitudes desencontradas que vinha tomando. Edson da Luz recebeu um diagnóstico de um tumor cerebral, e anunciou que precisava realizar um tratamento que incluiria um procedimento cirúrgico para a retirada do tumor, o que precisaria ser feito fora do país. Sua equipe criou uma campanha de arrecadação de fundos pela internet, “Help Azagaia”, que conseguiu arrecadar mais do que 790 mil meticais, o equivalente a aproximadamente 20 mil euros, que eram necessários para o tratamento. 

Azagaia foi operado no dia 18 de outubro 2014, fãs do mundo inteiro fizeram orações pela recuperação do rapper moçambicano, até que surge uma grande notícias na página do Facebook dizendo "Mano Azagaia está livre do Câncer". 

 
Em 2015, Azagaia, foi considerado como um ex rapper, poucas pessoas acreditava que pudesse retornar aos palcos novamente. Mais no final de 2015, Azagaia se juntou ao grupo Cortadores de lenhas e começou a ensaiar novamente. 

 
No dia 31 de Março de 2016, uma surpresa para os fãs, o lançamento da música “ Renascer" Com participação da linda voz de Ruka e produção de DJ Asnepas .
Mais a grande surpresa mesmo foi no dia 1 de Abril, parecia mentira, mais era verdade. Centenas de pessoas juntaram-se em Maputo para testemunhar o regresso do "rapper" moçambicano Azagaia, um ano e meio após uma ausência do principal músico de intervenção dos palcos. Sobre o olhar atento de centenas de pessoas que disputavam um espaço privilegiado para testemunhar o regresso do "incansável herói do povo moçambicano". Conhecido pelo teor crítico e frontal das suas letras "mano Azagaia", como é carinhosamente tratado, regressa aos palcos após anunciar o fim da sua polémica carreira, marcada por detenções, ameaças, uma doença e uso de drogas. Entre as cordas afinadas da guitarra da banda "Cortadores de Lenha", e a os gritos dos fãs, Azagaia mostra que é mais do que músico, é um "cantor das dores do seu povo". 

Além de rapper, Azagaia é redactor publicitário e actor, tendo já participado em três curtas-metragens: o filme “Mahala”, onde contracenou com Mário Mabjaia; “Traídos pela Traição”, onde fez o papel com a actriz Gigliola Zakara; e “Venenos do Amor”.



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